O fim dos guias definitivos? O que Google e ChatGPT valorizam hoje

O fim dos guias definitivos? O que Google e ChatGPT valorizam hoje

Quem nunca se deparou com um artigo da internet do tipo: “Guia completo para alavancar as vendas” ou “Guia completo de viagem para Portugal”?

Por muitos anos, a produção de conteúdo digital foi ditada por um “mantra” de que, para ter mais acessos, estar melhor ranqueado nos buscadores tradicionais, era preciso publicar a resposta mais completa, respondendo todos os tópicos do conteúdo.

A produção, e o consequentemente consumo, dos “guias completos e definitivos” faziam sentido no contexto em que o objetivo era ranquear, ganhar o clique e manter o visitante no site.

No entanto, novas pesquisas apontam que a era do conteúdo abrangente pode ter chegado ao fim. O conteúdo genérico parece cada vez mais vulnerável, enquanto a utilidade e o valor da informação surgem como os novos pilares do sucesso.

O tema já foi debatido na edição desse ano do SXSW. A futurista Amy Webb fez o “enterro” do seu relatório anual de tendências digitais. Segundo ela, o mundo está mudando rápido demais para ser explicado apenas por um conjunto de tendências anuais estáticas. 

Além disso, o portal Web Estratégica apontou outras mudanças no mercado da informação que apontam pra essa tendência:

  • Vencer no Google é ser difícil de desintermediar: Uma análise de 400 sites mostrou que os “vencedores” não são os que têm o melhor SEO, mas os que têm um modelo de negócio mais sólido. Os fatores que mais trazem o sucesso são: oferecer um produto/serviço, permitir a conclusão de tarefas e possuir ativos de dados proprietários.
  • Qualidade de conteúdo não é mais suficiente: A qualidade, por si só, já não explica quem vence. Um site pode ter conteúdo impecável, mas se ele não oferece uma utilidade clara ou uma razão para ser procurado diretamente, ele se torna um alvo fácil para a desintermediação pelo Google ou pela IA.
  • Ser citado no ChatGPT é sobre foco, não sobre abrangência: Uma nova análise sobre o funcionamento do ChatGPT revelou que a correspondência direta entre o título da página e a pergunta do usuário é o sinal mais forte para uma citação. Cobrir múltiplos subtópicos de forma superficial teve um desempenho inferior a responder uma única pergunta de forma excepcional.
  • A autoridade de domínio não foi um fator: Surpreendentemente, no estudo sobre citações do ChatGPT, a autoridade de domínio e os backlinks não se correlacionaram positivamente com a probabilidade de citação. A relevância e a estrutura da página foram mais importantes do que os indicadores de autoridade tradicionais.

Saiba mais:

Com isso, os sites que mais se destacam no Google mostram que o sucesso já não depende apenas de produzir conteúdo de qualidade, mas de criar algo difícil de substituir.

Sites que oferecem funcionalidades práticas, como comprar um produto, usar uma ferramenta ou acessar dados exclusivos, se tornam menos vulneráveis aos resumos gerados por IA. Nesse cenário, vencer no Google passa a depender mais da estratégia de negócio do que apenas de técnicas de conteúdo.

Ao mesmo tempo, um outro estudo questiona a ideia de que os “guias definitivos” são sempre a melhor estratégia. A análise revelou que páginas focadas em responder muito bem a uma única pergunta tendem a ser mais citadas pelo ChatGPT do que conteúdos amplos que tentam abordar vários temas de forma superficial. Para a IA, profundidade e precisão têm mais valor do que abrangência genérica.

Quando colocamos essas duas análises lado a lado, surge um padrão claro. Os sites que se destacam são aqueles que oferecem utilidade real, experiências ou informações que o usuário precisa acessar diretamente.

Já os conteúdos mais relevantes para a IA são os altamente específicos e confiáveis, que merecem ser citados pela qualidade da resposta. Em ambos os casos, conteúdos genéricos e facilmente replicáveis perdem espaço.

Para os profissionais de marketing, a principal lição vai além da produção de conteúdo. O desafio é estratégico. Se o seu site pode ser resumido, substituído ou superado com facilidade por uma resposta mais objetiva e especializada, o problema não está apenas na escrita. Está na proposta de valor do negócio. 

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