Comunique você

Comunique você!

Com o objetivo de auxiliar as pessoas a reconhecerem e valorizarem seus valores, surgiu o Comunicando Você: um projeto, em parceria da Dizz com a psicanalista, filósofa e escritora Ana Matos, que acredita que, quando você se conhece de verdade, o ato de comunicar-se deixa de ser performance e vira expressão natural.

O projeto foi desenhado para CEOs, empreendedoras, autônomas e profissionais liberais que já possuem uma trajetória sólida, mas sentem que sua presença online ainda não reflete quem são de verdade. Também foi pensado para quem busca crescimento nas redes, sem abrir mão da autenticidade, mas que ainda sente que “aparecer” é difícil e cansativo.

Comunicação começa muito antes do post: ela vem do autoconhecimento. Tema que deveria ser uma prioridade em nossas vidas, afinal de contas, todos nós temos uma versão que o mundo ainda merece conhecer!

O “Comunicando Você” é para quem sente que tem muito a oferecer, mas ainda não encontrou a própria voz para dizer isso ao mundo.

Semanalmente, traremos conteúdos aqui e na nossa newsletter para te ajudar a aprender mais sobre autoconhecimento, como trabalhar com mídias sociais e marca pessoal para te ajudar a “destravar” nos seus projetos. 

A partir de agora, o nosso compromisso aqui será te ajudar a traduzir quem você é em presença real, consistente, magnética. Vamos juntos nessa jornada?

Quantas pessoas você já ouviu dizendo que tem dificuldade para se comunicar. Dizem que não sabem gravar vídeos, que travam ao falar em público, que sentem vergonha de se expor ou que não conseguem encontrar as palavras certas para falar sobre o próprio trabalho. Se pararmos para pensar sobre isso, muitas vezes, o problema não está exatamente na comunicação. Está na relação que a pessoa construiu consigo mesma.

O que acontece é que a forma como nos mostramos ao mundo não é separada da forma como nos enxergamos. Quando falamos, não levamos apenas informações, argumentos ou opiniões – levamos nossa história, nossas experiências, nossas inseguranças, os lugares que ocupamos ao longo da vida e as marcas deixadas pelos encontros e desencontros que vivemos. E é por isso que tantas pessoas se calam mesmo tendo muito a dizer. Pois, o medo nem sempre é de falar, na maioria das vezes é de não ser aceita.

Desde cedo aprendemos a perceber aquilo que agrada, o que recebe reconhecimento, o que desperta elogios e o que provoca afastamento. Sem perceber, vamos moldando comportamentos para garantir pertencimento. É um movimento, totalmente, humano. Todos nós fazemos isso em alguma medida. O problema surge quando a necessidade de aprovação passa a ocupar um espaço maior do que a própria experiência.

A pessoa começa a dizer aquilo que imagina “ser melhor” recebido e, como isso evita determinados posicionamentos, esconde partes de si, adapta o discurso ao ambiente. Com o tempo, já não fica tão claro onde termina o desejo genuíno de se expressar e onde começa o esforço para corresponder às expectativas dos outros. É nesse terreno que muitas inseguranças se desenvolvem.

A chamada síndrome da impostora, por exemplo, raramente está relacionada à falta de competência. Não faltam profissionais preparados, experientes e reconhecidos que convivem diariamente com a sensação de que não são tão capazes quanto os outros imaginam. Sentem como se existisse uma dívida permanente com a própria imagem. Como se, a qualquer momento, alguém pudesse descobrir que elas não são tudo aquilo que aparentam ser.

Também é nesse contexto que surgem as versões de nós mesmos que apresentamos ao mundo, que vamos adaptando. Aprendemos que determinadas características recebem mais aprovação do que outras. Que algumas opiniões geram mais aceitação. Que certos comportamentos produzem menos conflito. Aos poucos, vamos organizando uma forma de existir que parece mais segura. O preço dessa segurança é que, em algum momento, a espontaneidade, a autenticidade começam a desaparecer.

O que muitas pessoas chamam de dificuldade de comunicação nem sempre tem relação com falta de repertório, conhecimento ou habilidade. Basta observar quantas delas conseguem conversar com naturalidade quando estão entre amigos, defender uma ideia em uma reunião ou falar durante horas sobre um assunto que dominam. Ainda assim, travam quando precisam se apresentar, falar sobre o próprio trabalho ou ocupar um espaço de maior visibilidade.

Não é raro encontrar profissionais extremamente competentes que sentem um desconforto desproporcional diante da possibilidade de serem vistos. Pesquisas mostram que, quando as pessoas são convidadas a listar seus medos, falar em público frequentemente aparece entre os primeiros lugares e, em alguns levantamentos, é citado mais vezes do que o medo da morte.

Nesses momentos, a questão já não está apenas no que será dito. A preocupação passa a ser a imagem que será formada a partir daquilo que for dito. Como vão me perceber? O que vão pensar? E se eu não corresponder à expectativa que criaram sobre mim? E se descobrirem que não sou tudo aquilo que imaginam?

São perguntas que, muitas vezes, permanecem fora da consciência, mas continuam influenciando a forma como alguém se posiciona, se expõe ou escolhe permanecer em silêncio.

É sempre importante lembrarmos que ninguém chega à vida adulta começando do zero. Todos nós construímos uma ideia sobre quem somos a partir dos vínculos que tivemos, dos lugares que ocupamos, dos elogios que recebemos, das críticas que nos marcaram e das experiências que nos fizeram sentir aceitos ou rejeitados.

Por isso, quando alguém fala sobre seu trabalho, sobre sua empresa ou sobre aquilo que deseja construir, não está levando apenas informações para o mundo. Está levando também a forma como se percebe, a confiança que desenvolveu em si mesmo e as histórias que aprendeu a contar sobre o próprio valor.

É justamente por essa razão que algumas pessoas precisam se esforçar tanto para sustentar uma imagem, enquanto outras transmitem uma sensação de presença que parece acontecer com mais naturalidade. Muitas vezes, a diferença está no fato de que uma delas ainda tenta atender expectativas que nem sabe exatamente de quem são, enquanto a outra já começou a construir uma relação mais honesta consigo mesma.

É por isso que autoconhecimento e comunicação não são assuntos separados. A forma como alguém fala sobre seu trabalho, sua empresa, seus produtos ou seus projetos revela muito mais do que uma estratégia de posicionamento. Revela a relação que essa pessoa estabeleceu com a própria história, com suas capacidades e com o lugar que acredita merecer ocupar no mundo.

Não é raro encontrar pessoas que passam anos tentando descobrir a melhor forma de se apresentar ao mundo. Mudam a maneira de falar, ajustam discursos, observam atentamente quem recebe mais atenção, estudam estratégias, aprendem novas técnicas e buscam aperfeiçoar a forma como se comunicam. Ainda assim, carregam a sensação persistente de que existe algo que não se encaixa completamente.

Não, necessariamente, estão fazendo algo errado ou lhes faltam conhecimento, competência ou preparo. Em muitos casos, a dificuldade não está naquilo que mostram, mas na relação que estabeleceram com quem são. Afinal, quanto menos alguém se conhece, mais dependente se torna das referências externas para definir a própria imagem.

E as respostas para essa dificuldade e, uma certa resistência, não estão diretamente ligadas ao desenvolvimento da competência comunicação. O que, talvez, seja necessário é olhar “fora da ilha para ver a ilha”. Quando a pergunta ainda permanece sem resposta, talvez essa resposta esteja em outro lugar. Ou seja, não diz respeito ao que deve ser dito, nem à forma mais adequada de se apresentar. Diz respeito à pessoa que está por trás de tudo isso e que, muitas vezes, passou tanto tempo tentando corresponder às expectativas dos outros que perdeu a oportunidade de se perguntar quem é quando não está ocupada tentando agradar, convencer ou ser aceita.

Ana Matos é terapeuta psicanalista, filósofa, escritora e mentora de carreira, com mais de 20 anos de experiência em atendimento terapêutico e especialização em autoconhecimento.

Realiza atendimentos online para brasileiros no Brasil e no exterior, auxiliando pessoas em questões como autoconhecimento, relacionamentos, ansiedade, depressão, luto, conflitos existenciais e desenvolvimento de carreira.

 

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