9 pensamentos do SXSW para refletir sobre marketing, tecnologia, comportamento e criatividade

9 pensamentos do SXSW para refletir sobre marketing, tecnologia, comportamento e criatividade

SXSW 2026 / divulgação
Anualmente, o estado do Texas, nos Estados Unidos, recebe o maior encontro de inovação e tecnologia do mundo. A 40ª edição do SXSW aconteceu em março e, ao longo de sete dias de evento, ficou evidente a necessidade da humanização e da criatividade para a produção de conteúdo estarem à frente das tecnologias.
 
O tema escolhido para a edição desse ano foi “All Together Now”, mesmo nome da canção dos Beatles, de 1969, que significa “Todos Juntos Agora”. Essa escolha não foi por acaso e aponta a necessidade de fortalecermos as conexões humanas, na era da Inteligência Artificial.
 
Entre tantas palestras que refletiam o futuro e tendências, o destaque ficou para a importância de seguir um propósito.
 
Neste artigo, você vai encontrar uma curadoria de pensamentos e insights de nove palestrantes que passaram pelo evento para te ajudar a traçar estratégias e te inspirar:

A necessidade de sentirmos que somos importantes

Foto: Juliana Cordaro/Flash
Mattering é um conceito que fala sobre algo muito humano: a necessidade de sentir que somos importantes. A fala foi apresentada por Jennifer Wallace, jornalista e escritora americana que fundou o The Mattering Institute – uma organização focada em fazer com que empresas diversas valorizem as pessoas pelo o que elas são e pelo o que fazem.
 
A autora do livro “Mattering: The Secret to a Life” (Sentir que se tem valor: o segredo para uma vida com propósito, na tradução) considerado um best seller, disse que todo ser humano precisa sentir que é visto, que é valorizado e que sua presença faz diferença na vida de alguém. Segundo ela, quando isso acontece, as pessoas engajam mais, contribuem mais e se conectam melhor. Quando isso não acontece, elas tendem a se desconectar emocionalmente.
 
Para as empresas, a lição que tiramos deste pensamento é que engajamento não se cria apenas com metas, mas de significados e bem-estar também. 
 

Tecnologia x consciência humana

Foto: divulgação
O especialista brasileiro em tecnologia e inovação, Marcel Nobre, levou para o evento reflexões sobre o novo papel do ser humano diante da inteligência artificial e das redes sociais.
 
De acordo com ele, os algoritmos influenciam no que vemos, no que consumimos, no que compramos e até no que passamos a desejar. O problema não é o emprego da tecnologia nessas fases e, sim, usar tudo e tomar decisões no automático. 
 
Quando terceirizamos a atenção e as decisões para as plataformas digitais, Marcel aponta que perdemos a autonomia sem nem perceber. Por isso é tão importante usar a tecnologia com consciência. 
 

A importância de ter um propósito na estratégia do negócio

Mais do que um discurso inspirador, ter um propósito passou a ser um elemento estratégico que orienta decisões de negócio, a cultura organizacional, o desenvolvimento de produtos e a forma como a empresa se relaciona com o público. 
 
Um estudo citado no painel revelou que as empresas que possuem um propósito claro crescem 28%, contra apenas 20% daquelas empresas que não possuem um propósito claro.
 
Isso se dá por conta das mudanças de valores e de comportamento do público. Os consumidores preferem marcas que demonstram alinhamento com valores sociais, ambientais e culturais, além de transparência e responsabilidade. Não basta mais ter “apenas” bons produtos.
 
Nesse cenário, empresas guiadas por propósito conseguem criar conexões emocionais mais fortes, aumentar a lealdade e se diferenciar em mercados saturados.
 
Mas é preciso atentar-se ao “purpose washing”, que é quando as marcas adotam discursos de impacto sem sustentação prática. A falta de autenticidade pode gerar crises de reputação e afastar consumidores cada vez mais atentos e críticos.
 
O recado deste debate é que propósito deixou de ser apenas um discurso e tornou-se uma estratégia real de crescimento da marca.

Antes imperfeito do que não feito!

O influenciador, que já trabalhou no YouTube e no Instagram, trouxe uma provocação para o SXSW: a busca pelo perfeccionismo, muitas vezes, funciona como uma maquiagem para a procrastinação. Enquanto muita gente despende tempo (e dinheiro) em busca de uma estética impecável, é preciso ter claro que o crescimento não vem da perfeição, mas da estratégia e consistência.
 
Para Jon, testar e analisar os dados e a performance é muito mais valioso e garante mais resultados do que esperar o conteúdo perfeito.
 
No mercado de influência, é necessário coragem de colocar o conteúdo no ar, deixando de lado o polimento excessivo, que, muitas vezes, remove a alma da mensagem e deixa o conteúdo impessoal e robótico.
 
A influência que gera resultado nasce do equilíbrio entre o desejo da comunidade e a bagagem única do criador. 
 

O enterro dos relatórios de tendências digitais

Foto: divulgação
Conhecida por apresentar o Emerging Tech Trend Report, um relatório de tendências, dessa vez, a futurista fez algo diferente e fora do comum: ela transformou a sala do evento em um velório para anunciar que a “morte” do relatório que era apresentado há 15 anos no evento.
 
A organização distribuiu lenços de papel para quem estava presente na sala decorada com velas, coroas de flores e música instrumental ao estilo funeral. Tudo para passar a seguinte mensagem: o mundo está mudando rápido demais para ser explicado apenas por um conjunto de tendências anuais estáticas. 
 
Na visão dela, é como se o Emerging Tech Trend Report se tornasse obsoleto já logo após a sua divulgação.
 
De acordo com Amy Webb, o foco agora deve ser na convergência para entender como diferentes forças, como a tecnologia, economia e a sociedade, se comportam ao mesmo tempo.
 

A capacidade de transformar momentos desconfortáveis em boas histórias

 
Em uma das palestras mais marcantes do SXSW, Steven Spielberg compartilhou uma visão poderosa sobre criatividade ao dizer que “todos os meus filmes vêm dos meus piores pesadelos”. 
 
Essa ideia revela que o processo criativo não nasce apenas de momentos positivos e de inspiração, mas muitas vezes de emoções profundas e desconfortáveis.
 
Quando criadores acessam seus conflitos internos, eles produzem conteúdos mais autênticos, capazes de gerar identificação genuína. 
 
No marketing, isso se traduz em campanhas mais humanas, que colocam no centro da narrativa, histórias reais e imperfeitas, criando conexões emocionais mais fortes com o público.
 
Em uma mundo repleto de tecnologia, ferramentas e plataformas, as histórias devem continuar sendo sobre emoções humanas. Até mesmo as mais ruins.
 

A necessidade de produzir conteúdo com originalidade para não ser esquecido

O CMO da Semrush, Andrew Warden, trouxe uma provocação que complementa a fala de Jon Youshaei: muitas marcas estão tão preocupadas em não errar, que acabam produzindo conteúdos fracos, rasos e que tendem a cair no esquecimento. 
 
O especialista alertou que, no cenário atual, com uso de IA e excesso de conteúdo, o que é mediano desaparece. A preocupação com a segurança da marca (brand safety) não pode ser uma desculpa para conteúdo sem personalidade. 
 
Por isso, originalidade e coerência são os valores que mais geram visibilidade atualmente.
 

O tédio e a criatividade

Ao trazer uma visão da neurociência para a criatividade, Vivien Puppa Kocsis, nos fez lembrar que a criatividade nasce e precisa do tédio para se desenvolver, condição que estamos perdendo diante da enxurrada de notificações e conteúdos que somos expostos a todo momento.
 
A pesquisadora explicou que os insights aparecem quando o nosso cérebro está em estado de baixa emergência mental, como no momento do banho, caminhando, ou simplesmente quando não estamos fazendo nada.
 
Mais do que buscar referências, planejar e estudar o conteúdo, precisamos dar um respiro para a nossa mente para que ela possa trabalhar e para que a criatividade apareça naturalmente.
 

Estratégias que focam nas conexões humanas

Seguindo na linha da preocupação com a saúde mental, Kasley Killam, especialista em saúde social e conexão humana, explicou que o nosso bem-estar mental depende de três fatores: saúde mental, saúde física e saúde social.
 
Ao focar na importância da saúde social, Kasley disse esse pilar se refere a algo muito simples, mas que, às vezes, subestimamos: a qualidade das nossas conexões humanas. 
 
Um dado serve de alerta: 1 em cada 6 pessoas no mundo se sente sozinha.
 
Com isso, resgatamos o conceito de materring, apresentado por Jennifer B. Wallace, para reforçar a importância que as marcas e empresas criem estratégias focadas em se conectar com o público.

Conclusão

Uma das discussões centrais desta edição do SXSW é como a confiança e a humanização se tornaram os elementos mais escassos e valiosos da comunicação.
 
Diante de todas essas análises, é nítido que, mesmo em meio aos mais novos e recentes lançamentos do mundo da tecnologia, os grandes especialistas da área possuem um consenso de fala quando o assunto é o futuro: criatividade nasce da emoção e conteúdo precisa de autenticidade. 
 
Em um futuro tecnológico, o que move o mundo ainda é (e sempre será) as pessoas. Para tudo isso, as conexões humanas continuam sendo essenciais.
 
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