Marketing na Copa do Mundo 2026: estratégias e regras para marcas aproveitarem o evento

Marketing na Copa do Mundo 2026: estratégias e regras para marcas aproveitarem o evento

Faltam menos de 40 dias para o início do torneio da Copa do Mundo e o evento, assim como acontece em cada edição, é uma oportunidade para as marcas e empresas se conectarem com o público amante do futebol.

Mas, junto com a tendência, é preciso ficar atento às regras da Fifa, que limitam o uso do evento em campanhas de quem não é um patrocinador oficial do torneio.

Neste artigo reunimos alguns insights de como aproveitar a sazonalidade da Copa do Mundo para diversificar a comunicação com o público e também as normas para usabilidade, sem ferir a propriedade intelectual do evento.

Relevância da Copa do Mundo para o Brasil e para discussão de temas da sociedade

A Copa do Mundo sempre ocupou um lugar singular no imaginário brasileiro. Além do nosso país ser o que mais acumula títulos no campeonato, o evento deve se consolidar neste ano como um dos maiores momentos de produção de conteúdo e geração de negócios.

Dados da empresa de pesquisas Institut Public de Sondage d’Opinion Sectur, a Ipsos, revelam que 71% dos brasileiros devem acompanhar o campeonato. Número 12% acima da média mundial.

O futebol, como outros esportes, sempre carregou influências históricas, conflitos, desigualdades e disputas entre nações. Com a internet, essas camadas passam a ser discutidas de forma muito mais ampla, muito além de um post no feed ou alguns stories.

O esporte deixa de existir apenas dentro de campo, focado em um só formato, e se revela como uma grande arena de conversas.

Com isso, a Copa do Mundo de 2026 deverá ser um evento de discussões sobre identidade, cultura, comportamento, estética, política e pertencimento.

Para as marcas, esse contexto significa que somente patrocinar o evento já não é mais suficiente. A relevância cultural passa a acontecer na interpretação do momento, na capacidade de participar de conversas e dialogar com as comunidades do público do evento.

Brasil em alta

Além da máxima que o brasileiro ama o futebol e a nossa relação com o esporte ser uma das primeiras representações que o nosso país ganha no contexto internacional, essas conexões estão em alta!

A Copa do Mundo é ferramenta de emoções coletivas e novas narrativas e, em 2026, esse imaginário ganha novas camadas e o Brasil continua a circular como referência cultural global.

O Brasil está na moda: símbolos nacionais conquistaram visitantes estrangeiros, anônimos ou famosos. Durante a Copa do Mundo, essa tendência deve seguir reativando o orgulho nacional, transformando hábitos de consumo.

Com a internet no meio de campo, a união entre futebol e cultura potencializa a disputa pela atenção das pessoas e nas estratégias de marcas e criadores de conteúdo. Mas, utilizando a linguagem do futebol, para marcar um gol de placa, é preciso ter criatividade e não repetir os mesmos formatos de conteúdo.

Enquanto 71% dos entrevistados do relatório da Youpix, de 2025, disseram que estão cansados de muitas publicidades de influencers nas redes sociais, 80% também disseram que já compraram algum produto ou serviço recomendado por criadores de conteúdo.

Saiba mais:

Copa do Mundo e as oportunidades de negócios que promovem a celebração

Mais do que assistir aos jogos, os brasileiros vivem a Copa como uma experiência social e cultural. Entre encontros, festas e rituais coletivos, o campeonato se torna um território de celebração e expressão cultural, revelando a forma singular com que o país transforma esporte em festa, emoção e identidade.

Durante a Copa de 2022, bares e restaurantes registraram um aumento de 30% de público, segundo dados da Kantar. Mais do que o consumo de comidas e bebidas, o que se repete com esse indicador é a tradição de reunir pessoas e celebrar.

A Copa do Mundo não acontece apenas dentro de campo. Ela se estende para os espaços sociais onde as pessoas vivem o jogo: bares, churrascos, salas de estar e encontros entre amigos. Esses momentos coletivos, frequentemente acompanhados de comida e bebida, se tornam também cenários de produção de conteúdo, reações em tempo real, memes e conversas nas redes.

Em 2026, o horário da maioria das partidas vai acontecer no período da noite para quem assistir daqui do Brasil. Com isso, bares, restaurantes e encontros entre amigos tendem a ganhar ainda mais protagonismo e a Copa se aproxima do ritual clássico do happy hour, transformando cada partida em um evento social após o trabalho.

Além do happy hour nos bares e restaurantes, para muitas famílias brasileiras, o momento do jogo é sinônimo de família reunida. Segundo um estudo da DirecTV Advertising, 84% dos fãs do da Copa do Mundo preferem assistir a eventos esportivos acompanhados por amigos ou familiares, reforçando o papel do esporte como experiência compartilhada.

Além disso, a inflação que impacta diretamente a classe trabalhadora mais pobre também impulsiona com que essas reuniões aconteçam em casa, com menos gastos do que em uma mesa de bar. De acordo com um estudo da Resenha Digital Clube, 72% dos brasileiros devem assistir os jogos em casa.

Durante a Copa do Mundo, eventos e espaços temáticos também se tornam importantes pontos de encontro para torcedores e criadores de conteúdo.

As FIFA Fan Fests, por exemplo, já são uma tradição do torneio e reúnem transmissões públicas. Segundo estudos de comportamento do torcedor, cerca de 12% do público planeja assistir aos jogos em eventos temáticos ou arenas públicas.

Além das iniciativas oficiais, marcas e criadores vêm criando seus próprios espaços de conteúdo. No Brasil, projetos como Casa Cazé, Casa Nubank, Apitto e outras ativações misturam transmissão dos jogos, produção de conteúdo, convidados e experiências para o público.

Esses ambientes funcionam como verdadeiros hubs de mídia e entretenimento durante o torneio, reunindo creators, torcedores e marcas em torno da Copa. Para criadores de conteúdo, acompanhar esses espaços pode significar oportunidades de participação, visibilidade e novos formatos de cobertura do evento.

Streaming em destaque e os conteúdos produzidos por influenciadores

Durante décadas, a Copa foi território da TV. Mas esse modelo começa a se transformar quando o streaming entra no jogo e o futebol vira um dos principais motores dessa mudança.

Hoje, a disputa pela audiência acontece nas plataformas. YouTube, CazéTV e novos players crescem impulsionados por gerações que já não dependem da TV tradicional e por um comportamento cada vez mais digital, multitela e sob demanda.

Mais do que onde assistir, muda como se consome: transmissão vira conteúdo, corte vira formato e criador de conteúdo vira mediador da experiência. O streaming esportivo deixa de ser só exibição e passa a ser parte central da economia digital.

Durante os jogos, a experiência acontece junto com a conversa: de acordo com os dados da Resenha Digital Clube e Data Makers, o celular vira segunda tela para comentar e postar (86%) e falar com amigos (71%).

O consumo de conteúdo da Copa do Mundo será multiplataforma:

  • 54% usarão mais de uma tela
  • 12% vão acompanhar tudo pelo celular
  • 49% vão usar o WhatsApp
  • 12% preferem o Instagram
  • 10% optam pelo YouTube

Com uma estratégia focada em aproximar o público mais jovem, que constrói referências através de influenciadores digitais, a TV aberta busca trazer inovação e alcance com influenciadores diretamente da Copa do Mundo.

Com isso, as empresas criaram um projeto que foca exatamente no potencial de transmissões feitas por criadores: autenticidade e comunidade.

A partir dessa união, os projetos criam experiências, buscando participar de conversas no ambiente digital.

Se até mesmo os próprios jogadores usam as redes sociais, nos bastidores do campeonato, para compartilhar suas vivências, a tendência se expande para outros públicos e nichos.

O futebol deixou de ser só assistido, ele passou a ser criado. Cortes, memes, análises, reacts, vlogs e comentários transformam qualquer torcedor em produtor de conteúdo.

Os formatos não seguem mais uma lógica única. Eles nascem da cultura da internet: misturam humor, opinião, vivência e identidade, e por isso, engajam mais do que o conteúdo tradicional.

Nesse cenário, a audiência muda de papel. Ela não só consome, mas interpreta, recria e distribui o jogo em tempo real, fortalecendo a conversa e ampliando o alcance do esporte para além do fã tradicional.

Onde tem atenção, tem oportunidade. E onde tem comunidade, tem potencial de conversão.

A dinâmica da criação abre espaço para novas formas de monetização: de afiliados até produtos, serviços e ativações que nascem dentro da própria conversa.

Não é só sobre saber participar do momento certo, mas estar presente com a linguagem certa.

Quais as outras oportunidades de marketing com a Copa do Mundo?

A Copa do Mundo vai muito além das quatro linhas que limitam o campo. Para o marketing, esse é um dos momentos mais ricos do calendário: a atenção está concentrada, o engajamento é alto e o público está mais propenso a interagir, comprar e compartilhar experiências.

Nesse cenário, marcas que entendem o contexto e conseguem se inserir de forma relevante encontram oportunidades que vão do turismo à moda, passando pela beleza e pelo lifestyle, sempre impulsionadas pela força dos creators e da cultura digital.

– Turismo de torcedor

A Copa não acontece só dentro do estádio, ela acontece na viagem. Passagens, hospedagem, deslocamento, looks, mala, tênis confortável, roteiro, onde comer, como economizar, o que vale a pena ou não. Tudo vira conteúdo e tudo vira oportunidade de negócio.

Viajantes criadores de conteúdo se tornam guias em tempo real, traduzindo a experiência para quem vai e para quem fica. Marcas de turismo, mobilidade, moda e lifestyle, e até finanças, encontram um território fértil para se inserir de forma útil, contextual e altamente convertível.

– Moda em jogo

O streetwear e o sportstyle não são novidade, afinal já estão na nossa cultura há décadas, mas ganham uma nova escala nesse momento. A Copa do Mundo acelera esse movimento: esporte deixa de ser só performance e vira estética, comportamento e linguagem.

Peças esportivas entram no dia a dia e se tornam itens de desejo. As camisas viralizadas são exemplos de como o uniforme ultrapassa o campo e vira tendência, coleção e símbolo cultural.

No TikTok Shop e em outras plataformas de afiliados, esse movimento se traduz em venda. Looks de jogo, versões customizadas, itens do Brasil e peças inspiradas no universo do futebol passam a circular como produtos “shoppableˮ, impulsionados por creators que transformam referência em conversão.

Mais do que mostrar produtos, marcas precisam entrar na cultura. E isso só acontece com creators que entendem estética, timing e comunidade.

– Maquiagem verde e amarela

No rosto, nas cores, nos símbolos e nas interpretações de cada torcedor. A maquiagem deixa de ser só estética e vira linguagem, uma forma de participar, se posicionar e pertencer.

Do verde e amarelo clássico às releituras criativas, o make entra no jogo como conteúdo, tendência e produto. Tutoriais, transformações, hacks e versões personalizadas ganham escala nas redes e transformam creators de beleza em protagonistas desse momento.

O que NÃO usar em campanhas e peças publicitárias da Copa do Mundo?

A Copa do Mundo é um fenômeno cultural, social e econômico capaz de movimentar comportamentos, ditar tendências e abrir novas frentes de consumo. Mas, para isso, é importante se atentar às regras da FIFA, organizadora do torneio, antes de disparar campanhas.

Basicamente, o principal erro está em tentar se aproximar demais do evento, utilizando o emblema, o troféu e a tipografia da Fifa, por exemplo. Esses itens, assim como os demais que vamos apresentar na sequência, configuram uma marca protegida por leis de direitos autorais.

Além da reprodução em cópias diretas, essa proteção também inclui adaptações variações e qualquer elemento que possa gerar confusão com o torneio.

Na prática, isso significa que pequenas mudanças visuais ou conceituais não são suficientes para evitar problemas. Se a peça remete ao evento e sugere algum tipo de associação, o risco já existe.

  • Emblema oficial da Copa do Mundo 2026: Elementos visuais oficiais como o emblema, o pôster oficial, o troféu, grafismos e até a tipografia do evento não podem ser utilizados, nem mesmo em versões adaptadas ou “inspiradas”. Os emblemas das cidades-sede e a imagem do mascote também não podem entrar nas campanhas não oficiais. Ainda entram nesta restrição a marca institucional da FIFA e da plataforma FIFA Plus.
  • Nome oficial do torneio, slogan e suas variações: Termos como “Copa do Mundo 2026”, “World Cup 26” ou outras variações semelhantes podem gerar associação indevida quando utilizados em contexto comercial. Mesmo adaptações criativas ou trocadilhos podem ser interpretados como tentativa de vínculo com o torneio. Além do nome, o slogan do evento e das cidades-sede também não deve ser reproduzido.
  • Tentativa de parecer patrocinador: Frases, conceitos ou construções que indiquem parceria com o evento devem ser evitadas, mesmo sem o uso direto de elementos oficiais.
  • Uso em anúncios e mídia paga: Os parâmetros da Fifa ainda proibem campanhas publicitárias, posts patrocinados e peças comerciais que façam referências diretas ao torneio.
  • Hashtags com intenção comercial: O uso de hashtags relacionadas ao evento pode gerar associação indevida quando existe objetivo de atrair audiência para marcas ou produtos.
  • Promoções, sorteios e ingressos: São proibidas ações promocionais envolvendo ingressos ou experiências do torneio sem autorização oficial.
  • Produtos com referência ao evento: Itens comerciais, desde brindes até camisas esportivas, que utilizem qualquer elemento ligado à Copa são restritos a licenciados oficiais.
  • Sites, domínios e aplicativos: Não é permitido utilizar termos do torneio em URLs, nomes de apps ou plataformas digitais que sugiram vínculo oficial.
  • Design e ambientação visual: Layouts, vitrines e peças que reproduzam o estilo visual da Copa também podem gerar associação indevida para a sua empresa
  • Uso excessivo em redes sociais: Mesmo sem venda direta, o uso recorrente de referências ao torneio pode reforçar uma percepção de vínculo com o evento.

O que ainda pode ser explorado no marketing da Copa do Mundo?

Apesar das restrições, existe espaço criativo. Elementos genéricos como futebol, torcida, bandeiras, emoção e rivalidade entre países continuam sendo caminhos seguros para campanhas.

No fim, a Copa segue sendo uma das maiores oportunidades de comunicação do mercado, mas exige estratégia. A diferença está em saber trabalhar o contexto sem ultrapassar o limite da associação.  

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